MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BALSAS

Fonte: Revista Veja “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte”. Estas palavras de Machado de Assis servem de embasamento para estas memórias póstumas, onde expressam também a minha indignação para com a Administração Pública Municipal, única responsável pela minha morte. Balsenses, esquecemos desta tragédia e lembremos agora de meu esplêndido nascimento. Derrepente desabrochou uma flor, ao som melódico do vento vindo das colinas verdejantes, regada com a benção de Deus. Tive em minha formação a bravura dos vaqueiros e fazendeiros que se aglomeraram no Porto das Caraíbas, para comercializarem seus produtos às margens do meu Rio Balsas. O suor derramado por estes balsenses marcaram para sempre a luta de um povo que agora chora, manifestando sua nota de repúdio à Administração Pública do município. O pior de tudo é ter que matar meu querido Rio Balsas, cujas águas límpidas refletem a mistura de raças, costumes e cultura de uma região, formada por pessoas humildes e trabalhadoras que equivocadamente colocaram alguém no poder apenas para acabar comigo. É triste ver a situação das pessoas acidentadas que são transportadas em carrocerias de carros, em condições degradantes, como se fossem animais, tudo isso pela falta de ambulância na cidade. O engraçado é que as que chegaram não estão circulando. Que vergonha! Pensando bem, para quê ambulância se minhas ruas estão intrafegáveis? São tantos buracos, que é impossível não se sensibilizar com minha situação deplorável. Cadê a infraestrutura? Cadê a saúde? O meio ambiente? A ação social? A educação? A cultura? Meus Deus, por que me abandonastes? O povo não merece isso! Você, que se diz meu filho, não adianta começar a fazer benfeitorias na intenção de me ressuscitar, porque o povo é testemunha de que foi você quem me matou. Também não adianta aqueles trocadinhos liberados na sua porta, porque grande parte da população balsense é testemunha deste ato. Meus queridos balsenses, é triste morrer desta forma, sendo matada por alguém incapaz de atender aos anseios da população que o colocou no poder. Quanta ingratidão no coração de uma pessoa. Mas uma vez pergunto, será que meu povo merece isso? Assinado falecida Balsas Texto disponível em:
www.formiganeto.blogspot.com www.recantodasletras.com.br/autores/formiganeto www.jnetoformiga.zip.net http://www.escrita.com.br/escrita/leitura.asp?Texto_ID=16696 http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/pagina_autor.php?cdEscritor=5514&cdPoesia=80205
ou se preferir, digite no google "Memórias póstumas de Balsas"
Escrito por netim às 18h50
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LAMENTOS DE BALSAS

Edilza Virgínia chamou-me de “princesinha do Sul do Maranhão”. Será se ainda vale a pena eu ser tratada desta forma? No passado, quando eu ainda engatinhava rumo ao progresso, onde o desejo incessante de crescimento corria nas veias dos bravos fazendeiros e vaqueiros, talvez eu merecia o título de princesa. Mas o tempo passou e a chama viva da grandeza apagou-se. Hoje meu nome causa indignação. Infelizmente não me deram uma educação que me permitisse levar sempre esse título.
Eu queria que todos tivessem orgulho de mim, queria ser uma das melhores cidades da região, visto que é em minhas terras férteis que germina a soja que sustenta a economia no sul do Maranhão. É tanto que até me chamaram em outros tempos de capital da soja. Nem eu mesmo sei se ainda sou considerada assim. Sei apenas que me chamam de Balsas, e eu me orgulho do meu nome, é claro! Não de mim, cuja face está marcada pelas lágrimas de um povo que clama por justiça, que sonha com dias melhores, talvez o dia em que pisará em um chão digno. As feridas que foram cravadas em meu peito são incuráveis. Obrigado Edilza, por fazer um hino tão admirável, que na verdade não reflete a minha verdadeira face. Ele foi cantiga de ninar apenas para meus primeiros anos de vida. Hoje em dia eu me envergonho de ouvir seu hino, que eu o chamo inclusive de obra de arte. Você fala que o sol brilha em mim, e brilha sim, e o reflexo do sol é visível na poça de água que se formou em meio aos buracos que foram causados pela chuva. Mas a chuva passou, e o buraco ainda continua lá cheio de água, refletindo os raios reluzentes do sol. Que coisa magnífica! Ainda bem que eu tenho direito de manifestar o meu pensamento. E eu penso assim: acabaram comigo, não há uma gota de esperança que indique progresso. As pessoas que moram em mim choram nos corredores do hospital, na esperança de serem atendidas ou até mesmo saírem vivas dali, escapando da incompetência de funcionários que matam. E matam mesmo. Atire a primeira pedra aquele que nunca ouviu uma história de alguém contando que “mataram mais um no hospital, vítima da pior doença: incompetência dos funcionários”. Vou falar das escolas. Aliás, não vou falar nada, todos estão vendo, assim como estão vendo as ruas, as avenidas, a panelinha que se forma nos corredores da prefeitura. A segurança social é uma questão crítica. Pelo visto as pessoas estão mais seguras nas ruas da cidade do que em suas próprias residências. Na verdade eu nem sei onde é mais seguro. Nas ruas da cidade as pessoas sofrem acidentes em virtude dos buracos, e na sua própria casa são surpreendidos por bandidos que ousam tirar a vida do seu próximo, ferindo aos princípios de Deus e da sociedade. Recentemente eu completei mais um ano de morte. Não comemoraram meu aniversário por não haver motivos para se comemorar. Eu estou abandonada, chorando pelos cantos, preocupada com meus filhos, meus queridos filhos, que colocaram alguém no poder somente para acabar comigo. E conseguiram. Parabéns filhos de Balsas, por conseguirem me jogar na lama, eu só queria continuar sendo a princesinha do sul do Maranhão, e nada mais. Peço licença para calar-me e deixar que reflitam acerca daqueles em que vocês balsenses colocam no poder. Da próxima vez procure alguém que possa pelo menos tentar devolver a minha dignidade, que foi roubada, no momento em que vocês pressionaram a tecla verde daquela odiável urna eleitoral, que guarda em si o nome do criminoso que me matou. Balsenses, eu estou morrendo. Podem até colocar na entrada da cidade uma plaquinha com a frase: “Aqui jaz Balsas querida, cidade dos meus amores”. Me ajudem meus filhos, ainda há tempo. Quero que entendam pelo menos, este meu pedido de socorro, refletido nestas poucas palavras que eu mesma escrevi, e que servirá para calar a voz daquele que canta o hino chamando-me de Princesinha do Sul do Maranhão. Meus queridos balsenses, já que não podes impedir que eu derrame lágrimas, pelo menos me dêem um lenço para eu secá-las. Mas eu ainda tenho esperanças de ouvir da boca de vocês, balsenses, os versos de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras onde canta o Sabiá”. Talvez quando lerem esta carta eu já tenha morrido. Por isso me despeço da seguinte maneira: Foi bom ter sido palco de progresso para o sul do Maranhão. Fiz o que pude, e em troca lançaram uma flecha em meu peito sem ao menos colocar um pouco de mel na ponta. Mataram-me cruelmente. ASSINADO: FALECIDA BALSAS Disponível em: www.formiganeto.blogspot.com www.escrita.com.br/leitura.asp?Texto_ID=16668
www.luizrochafilho.zip.net www.recantodasletras.com.br/autores/formiganeto Jornal Folha do Cerrado - Edição Maio de 2011 www.poesias.omelhordaweb.com.br/index.php
Escrito por netim às 20h57
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BALSAS PEDE SOCORRO
Após ter escrito “Lamentos de Balsas”, muitas pessoas pediram para eu escrever sobre a beleza da cidade, por exemplo sobre o Rio Balsas, atentando para a sua preservação. Eu confirmei que escreveria um texto admirando a beleza desta grandiosa obra de Deus. Então, como fonte de inspiração, cuidei de ir até a Ponte de Madeira na intenção de observar àquelas águas que após banharem a cidade, desciam lentamente, tentando esquecer que sua alegria fora agredida por esgotos que o atingiam e manchavam sua face. Fiquei quase meia hora apreciando aquelas águas, lutando contra meus olhos que me obrigavam a ver a sujeira que se formava às margens do rio. Me veio à mente que a Campanha da Fraternidade deste ano é sobre a preservação ambiental, cujo tema é "Fraternidade e a Vida no Planeta” e o lema é “A Criação Geme Com Dores de Parto”. Achei propício este tema, pelo menos refletia a realidade ali diante de meus olhos, onde os matos cresciam abundantemente naquela região, exigindo somente uma plaquinha: “Diga não ao desmatamento”. Parece que entenderam errado a essência da preservação ambiental, pois, conservar a sujeira no rio não significa preservação ambiental. Deixar os matos crescerem às margens do belíssimo rio, não significa preservação ambiental. Deixar os esgotos serem derramados no rio, também não significa preservação ambiental. Eu brigava com meus pensamentos, e estes me diziam: “E o Projeto Verão Balsas, para que serve?” Para nada, apenas para limpar o rio com uma das mãos e sujar com a outra, nada mais! Deus me livre de falar que este projeto não cuida do rio. Na verdade, o que estou querendo dizer é que o projeto verão balsas, que acontece durante todo o mês de Julho, não precisava ser realizado dentro das águas do nosso Rio Balsas, pois é durante este período em que o rio é mais poluído. Eu já estava quase para enlouquecer à procura de algo bonito que servisse de inspiração para meus próximos textos. Acho que falarei sobre o povo balsense, estes sim, merecem destaque. Não queria falar das ruas e avenidas da cidade, cujos buracos são responsáveis pela causa de inúmeros acidentes. Eu sei que são causados pela chuva, mas ela já passou. E a sujeira? Quem sou eu para falar da sujeira de nossas ruas. Pensando bem, Deus me livre de falar da saúde na cidade de Balsas, correrei o risco até de ser apedrejado..Também não quero falar de um outro rio balsas que está prestes a nascer na Avenida Raimundo Félix, todas as vezes que chove, sem falar na Avenida Luis Gomes, bairro Açucena, onde uma imensa cratera foi aberta, para o desespero dos transeuntes e das pessoas próximas àquela região. Outro dia me falaram: “Meu carinho por você é igual obra da Prefeitura, nunca acaba”. Será verdade? Será que aquela construção de um novo Mercado Público Municipal pode ser considerada uma obra inacabada? Será que a passarela que liga o bairro Tresidela ao centro, também pode ser considerada uma obra inacabada? Não sei. Não sou nenhum político conhecedor dos trâmites administrativos, processos licitatórios e de outras burocracias inerentes aos escritórios da prefeitura. Sou apenas um estudante universitário, que acredito só no que vejo, assim como as pessoas. Na tentativa de escrever algo sobre Balsas, coloquei uma venda nos olhos para não ter que ver a calamidade de nossa cidade, principalmente para não ler aquela matéria publicada na Revista Veja, mas é impossível se escrever de olhos vendados. Sinto muito, mas não existe nada em Balsas que possa aguçar minha criatividade. Lucas Santiago, universitário da UEMA escreveu que “A situação dessa mãe é grave. Seu corpo está cheio de lesões por todas as partes e apenas o sonrisal que lhe dão não serve para curar as feridas”, Realmente, Balsas está destruída, acabada, largadas à própria sorte, e é impossível calar-se diante desta realidade. Desisto! Só escreverei sobre a beleza de Balsas no dia em que eu sobrevoar sobre esta cidade, afinal, Balsas é linda, se vista apenas lá de cima.
Escrito por netim às 14h02
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